Precisamos romper algumas
cascas de nossas vidas para descobrirmos quem realmente somos. É
muito fácil descrever o outro e rotulá-lo, mas e a mim, quem eu
sou?
Esse questionamento tem
crescido dentro de mim, tenho me perguntado constantemente: quem
sou eu? Sempre tenho julgado as outras pessoas pelas atitudes,
comportamentos, enfim, tento enquadrá-las no que seria, para mim,
certo e errado. Mas o que me capacita para a realização de tal
ato?
Parece muito fácil e simples
encontrar o erro no outro e assim julgá-lo, portanto a vida de
Cristo tem confrontado quanto a isso.
Vejamos: “Pois quê? Somos nós mais
excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que,
tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado. Como está
escrito: Não há justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda;
não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e
juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem
um só.” Romanos 3.10-12
Podemos perceber que se
olharmos para quem somos, tirando todas as coisas que nos moldam, o
que restará? Imaginemos nossa vida sem Deus, sem nossos pais, sem
nossos amigos, sem nosso conhecimento e experiência, o que sobra?
Nada, não somos nada. Somos pecadores, somos imundos, somos todos
condenados por nossos delitos e pecados.
Porém pela misericórdia de
Deus e pela vida de Cristo temos a Graça, essa graça que
superabunda em nós, trazendo o perdão e a reconciliação com o Pai.
“Mas Deus prova o
seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós
ainda pecadores. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo
sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato
de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de
vida.” Romanos 5. 8,18
A partir dessa reflexão e
compreensão, podemos nos atentar ao segundo mandamento de
Deus.
“Porque toda a lei se cumpre numa só
palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a Ti mesmo.”
Galátas 5.14. Por que a importância desse mandamento? Como posso
amar o próximo como a mim mesmo? Como devo me
amar?
Quando percebemos quem
realmente somos, ou seja, nada, deparamos com os nosso defeitos e
erros, compreendemos que somos cheios de falhas e que sem a
misericórdia de Deus não podemos e não somos nada. Assim iremos ver
o outro como a nós, possuidor de falhas. Percebemos que não temos o
porquê encontrar falha no outro e julgá-lo por isso. O apóstolo
Paulo disse isso em Romanos 2.1 “Portanto, és inescusável quando
julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque condenas a ti mesmo
naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o
mesmo”.
O que nos afasta do outro? O
que traz inimizade, preconceitos e rivalidades? São justamente as
diferenças, mas se compreendemos que não somos nada, não haverá
diferença, e a partir daí estaremos todos igualados a
NADA.
Essa mensagem tem ardido em
meu coração, sempre me vi como alguém agraciada por ter crescido em
um berço cristão, por ter pais pastores, porém Deus tem me levado a
ver que a vida de Cristo é muito além de ser vista como uma
discípula “perfeita”, na verdade a perfeição do caráter
de Cristo precisa sempre estar sendo moldado em mim, não é algo
estático, no entanto é dinâmico, gradativo. Tenho percebido que
quanto mais busco a vida de Cristo me deparo com meus erros e
falhas.
Tenho visto, não digo isso de
vós, mas de mim mesmo, que tento me mostrar “santinha”,
sabe e até me convenço disso, mas Deus tem derramado a sua palavra
de forma exortadora em meu coração. Quando olho para a vida de
Jesus, vejo o quão falha eu sou. “E os escribas deles, e os
fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que
comeis e bebeis com publicanos e pecadores? E Jesus, respondendo,
disse-lhes: Não necessita de médico os quer estão sãos, mas sim, os
que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim, os
pecadores, ao arrependimento.” Lucas
5.30-32
Quando me deparo com o estilo
de vida de Jesus, vejo como tenho me tornado um
“fariseu”, tendo todo o conhecimento do que seria certo
o errado, criando opiniões sobre tudo, tenho ideologias e teorias
sobre o homem e o pecado, sobre como o outro precisa se
arrepender... mas e eu?
Os versículos anteriormente
citados dizem claramente que a “Igreja” deveria ser o
lugar de pessoas doentes, Jesus veio para eles. Se estou convencida
de que sou sã, SANTA, declaro que não preciso da vida de Cristo.
Misericórdia é isso que realmente precisamos. O que me faz melhor
que um adúltero, prostituta, ladrão, homossexual? O amor de Deus
está sobre a vida deles, de todos nós, ele veio para que o pecador
se arrependesse, Ele veio para trazer salvação, eu como discípulo
de Jesus o que tenho feito quanto a isso? Será que os preconceitos,
religiosidade e a comodidade têm endurecido o meu coração e me
feito viver o evangelho das “quatro
paredes”?
Viver a vida de Cristo vai
muito além de simplesmente observar os mandamentos e sim entregar a
vida. O evangelho do REINO diz sobre IR pregar o evangelho a toda
criatura. Podemos ver essa reflexão em Mateus
19.16-30.
Quando percebo que não sou eu
que vivo, mas Cristo vive em mim, me abstenho de todos os
conceitos, julgamentos e opiniões. Simplesmente vivo a vida de
Cristo, que é o amor incondicional. Jesus mesmo sendo o verbo, o
Deus, ele não condena o pecador, mas intercede junto ao Pai para
que os pecados sejam perdoados. Em João 8.1-11, podemos ver Jesus
amando e perdoando, sendo que a única condição à salvação é o
arrependimento. Um pouco adiante Jesus diz ao fariseu, versículo 15
“Vós julgais segundo
a carne, eu a ninguém julgo”.
Não é fácil ver em nós o
pecado. Mas creio que o Senhor é fiel e quando reconhecemos que em
nós há pecados, Ele é fiel para nos perdoar e limpar as nossas
vestes. “Se, pois o
Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” João
8.36.
Agradeço ao Senhor por estar
revelando tal graça em meu coração, vejo o Espírito Santo me
convencendo do pecado e me fazendo enxergar quem eu sou e quem Deus
quer que eu seja, e sem Ele nada sou. Só assim posso amar o outro,
vendo a misericórdia de Cristo e o seu amor na vida do outro.
Reconhecendo que assim como eu, todos precisam de Cristo, pois de
nós mesmo não se pode aproveitar nada.
Deixo uma reflexão para que
Cristo continue a tratar conosco. “Por causa disto há entre vós
muitos fracos e doentes e muitos que dormem. Porque, se nós nos
julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados. Mas, quando somos
julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos
condenados com o mundo.” 1Coríntios
11.30-32
“Sede pois misericordiosos, como
também o Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis
julgados;não condeneis e não sereis condenados; soltai e
soltar-vos-ão.” Lucas 6.26
Que Cristo continue a
manifestar em seu coração essa revelação da graça e misericórdia.
Porque de mim mesmo nada tenho a dizer, senão que preciso, mais do
que qualquer um, da misericórdia e graça de
Deus.
Deus o
abençoe!
by
Débora